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Estabilidade, continuidade e unidade: A Monarquia sob o Prisma Cultural

POR DAVI VALUKAS

#BlogdoValukas

“Nada acontece na política que antes não tenha acontecido na literatura.” Hugo von Hoffmanstaal

Em artigo anterior, demonstrem a superioridade estética e imaginativa do sistema monárquico. Apontei a importância do imaginário na construção política e de como reis, rainhas e príncipes encantados provam a superioridade monárquica. Seguindo essa linha, pretendo apontar a importância de se analisar a Monarquia do ponto de vista cultural. Não falarei sobre questões econômicas, sociais e políticas, mas de como apenas a Monarquia é capaz de dar o senso de continuidade, de unidade e de estabilidade ao país.
Vamos começar pela continuidade: enquanto nós regimes republicanos (parlamentarista ou presidencialista) o chefe de Estado é trocado a cada quatro ou cinco anos, transformando seu governo em campanha eleitoral (e eleitoreira) por antecipação, o monarca, pelo facto de não ser este um cargo político, não tem a necessidade de se envolver em tão sórdida estratégias. Como chefe de Estado (e não de governo), o monarca tem a vida toda para estabelecer um bom projeto nacional, e com o agravante positivo de deixá-lo em boas condições para seu sucessor (geralmente seu filho) dar a devida continuidade. Isso presidente algum pode fazer!

Prosseguindo em nossa análise, o senso de unidade até pode ser provisoriamente implantado em sistemas republicanos. Porém, tal êxito só pode ser atingido às custas de um populismo de consequências nefastas para o país! A fim de atingir o coração da massa ignora, o presidente deve fazer esdrúxulas concessões às mais diversas categorias, a maioria delas não comprometida com o sucesso da nação. Outro factor de suma importância é que o monarca não deve promover o culto a sua personalidade, pois o cargo que ocupa é maior que só mesmo. A beleza não está no rei, mas sim na coroa e no trono, figurativamente falando! É o trono real em si quem garante o senso de unidade nacional.

Por fim, a estabilidade é atingida naturalmente quando os elementos anteriores estão em harmonia, como uma Trindade perfeitamente moldada! Enquanto o primeiro-ministro cuida de questões temporais de cunho puramente político (afinal, ele é o chefe de governo), o monarca garante a continuidade, a unidade é a estabilidade trabalhando em questões atemporais de interesse nacional! Se o presidente é um cidadão comum que fez campanha e propaganda nos últimos meses, o monarca vem se preparando desde tenra infância para exercer o cargo. Evidentemente, pode haver tropeços e má gestão, mas as chances de sucesso são bem maiores no sistema monárquico!

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