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FAKE NEWS: MENTIRA ESPALHADA OU SELO DE CENSURA?

IMPRESSÕES PRELIMINARES

Nos últimos meses, a expressão fake news adquiriu protagonismo na classe falante internacional. Tão repentina quanto a sua fixação na ordem do dia foi a proliferação de iniciativas de solução – propostas, em sua maioria, a partir do terceiro setor – imediatamente bem recebidas por membros de governos que se autodeclaram “progressistas”. Em pouco tempo viu-se formado uma autêntica campanha universitária, jornalística, tecnológica e, finalmente, política, que passou a bradar em coro os mesmos diagnósticos e a mesma solução para o suposto problema, que foi posta no lugar da checagem de verossimilhança e veracidade: o descarte sumário de notícias.

No Brasil, essa campanha começou a ser discretamente sentida no Facebook ao final de 2016, tendo dali se estendido gradativamente para todos os demais canais de informação online e, finalmente, se tornado a expressão classificatória que hoje conhecemos – empregada em protestos automáticos fora do ambiente digital, desde as entrevistas ao vivo até as salas de aula.

Embora a sua tradução literal conote a falsificação de um fato, em nenhum dos casos a expressão fake news tem surgido como a conclusão lógica de uma análise sequenciada de acontecimentos. Experimente o leitor indagar-se: qual tem sido o critério de verdade utilizado para classificar – sempre em curtíssimo tempo – uma notícia ou denúncia como falsa? Imediatamente, um outro dado chamará a sua atenção: todas as iniciativas surgidas na campanha de “combate às fake news” possuem uma característica comum: a proposição de “agências de checagem de fatos”. Nada mais são do que comissões ou equipes cujas afirmações têm sido rapidamente espelhadas pela grande imprensa, e que vêm aproximando do poder público, sobretudo de países em processo eleitoral. Em todos os países onde o alarde das fake news foi dado, essas agências têm sido o modelo de combate proposto. Muito poucos se terão perguntado: quem financia essas agências?

Essa pergunta provoca uma cadeia de conclusões que não podem apontar senão no sentido de que o se há curso é um processo gradativo de burocratização da censura que, num futuro breve, impedirá até o direito de colocar em dúvida, por exemplo, a lisura da apuração de votos nas eleições.

Em algum momento, haverá se de provar que a expressão fake news não designa mentiras postas em circulação – e sim uma espécie de selo de identificação para que permite aos censores reconhecer as notícias e denúncias a serem varridas da memória coletiva pelo desvio do fluxo da opinião das massas. Analistas gabaritadíssimos têm vasculhado a imensa rede mafiosa de pesquisas encomendadas em busca de determinar cientificamente a verdade das coisas atuais, o que somente aqueles que atuam com independência – e, portanto, invisíveis aos olheiros do establishment e imunes às suas chantagens e intimidaçõespoderão conseguir.

O rastreamento das fontes comuns de patrocínio dessas “agências de checagem de fatos” será capaz de provar cabalmente a unidade de propósitos que fabrica a nebulosidade do ambiente informacional. A internet foi empregada para transmitir às populações a existência de um fenômeno problemático nas comunicações contemporâneas, quando o que faz é dar camuflagem a um onipresente e eficientíssimo sistema de censura. A razão para usar o meio digital primeiro foi simples: primeiro, porque ele simplifica o mecanismo de descarte de notícias através da programação algorítmica, habituando as massas à predisposição de duvidar de tudo o que venha ler ou ouvi. Em segundo lugar, porque permitiu estabelecer um padrão de banimento de assuntos sem qualquer oportunidade para réplica, impedido a confrontação necessária de argumentos para se chegar a uma conclusão. Em razão dos códigos de computação por meio das quais os sistemas digitais funcionam, o conteúdo censurado pelos seus programadores são varridos automaticamente pelo sistema: o programa simplesmente desaparece com o teor da postagem.

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Redação Rádio MCI

A Rádio MCI tem como missão apresentar Música de qualidade, uma programação voltada para aquisição de Alta Cultura e a divulgação de informações relevantes para o público ouvinte, em especial assuntos que afetam diretamente nossas vidas no atual contexto sócio-político-cultural do Brasil, da América Latina e do Mundo.

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