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ESTATÍSTICAS E PESQUISAS ELEITORAIS – A ARTE DE TORTURAR OS NÚMEROS

Nesta eleição presidencial que está mais acirrada do que disputas de prefeituras em cidades pequenas, cada resultado de pesquisa eleitoral lançado gera um novo clamor e uma indignação generalizada.
Esta semana, o IBOPE soltou um resultado de pesquisa que traz um empate técnico entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, no primeiro turno, e a vitória de Haddad, no segundo turno, e esse clamor se tornou ainda mais forte.
Eu já desconfio das pesquisas eleitorais há muito tempo e se não me engano, já vi o Presidente do Datafolha tendo de se explicar sobre pesquisas ainda nas eleições de 2002, quando eu me encontrava na gelada cidade de Palmas, no interior do Paraná, no segundo turno daquelas eleições.
Minhas suspeitas aumentaram mais ainda nas eleições de 2014, quando a candidata Dilma teve um disparo nas últimas semanas ou nos dias que antecederam o dia do pleito, quando o candidato Aécio vinha com uma forte tendência de alta. Aquilo não cheirava nada bem, mas quando assistíamos a TV aguardando a totalização dos votos, realizada às portas fechadas por um pequeno grupo no TSE, e sobreveio aquele resultado que deixou pelo menos metade dos brasileiros estupefata, tive mais certeza de que há sim fortes motivos para desconfiar das pesquisas e das estatísticas.
OH!! Mas os números não mentem jamais!!
Não mentem, mas se torturados confessam qualquer coisa!! Quem não conhece essa frase : “Estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem” ?
Outro dia, estava em casa à noite e recebi uma ligação sobre uma pesquisa para os cargos de governador e a 2ª vaga para o Senado do Paraná. Fiquei até emocionada por estar participando de uma pesquisa, que parece lenda para a maioria da população brasileira.
Já achei estranho ser apenas para uma das vagas para o Senado. Mas a estranheza não ficou por aí. Apesar de haver 16 candidatos para o governo e 10 para o senado, a pesquisa só tinha 4 nomes de candidatos para cada cargo, além das opções “não sabe” e “não vai votar”.
Não tendo nenhuma opção que pudesse remotamente ser da minha escolha, optei pelo “não vai votar”. Desliguei o telefone com uma certa indignação e resignação, já que ocorrera exatamente como eu sempre imaginara.
O Estadista britânico Benjamin Disraeli dizia que existem três tipos de mentiras: as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas.
Então como podemos nos proteger das estatísticas e das mentiras que nos contam com números o tempo todo?
Vou lhe dar uma dica que recebi do meu mestre Edilson Mougenot Bonfim e que repasso para os meus pupilos: leia com urgência e muita atenção um livrinho divertidíssimo e muito educativo chamado COMO MENTIR COM ESTATÍSTICAS, de Darell Huff. Ele transformará o modo como você recebe e analisa informações.
Essa pequena maravilha foi escrita em 1957 e nele o autor mostra de forma didática e divertida como números que parecem tão fortes são na realidade frágeis, quando não totalmente falsos, castelos de areia que ruirão após uma análise detalhada e desprovida de ideias preconcebidas.
No último capítulo, o autor lhe dá o antídoto para não ser enganado. São 5 perguntas que devemos sempre fazer quando nos deparamos com pesquisas, estatísticas e várias outras informações: 1) Quem está dizendo? 2) Como ele sabe? 3) O que está faltando? 4) Alguém mudou de assunto? 5) Isso faz sentido?
Pois bem. No nosso contexto, quando se vê imagens de eleitores de certo candidato lotando ruas e avenidas e dos seus adversários podendo ser contados nos dedos, só podem causar estranheza e suspeitas as pesquisas que a mídia tem divulgado.
Quando vir uma dessas pesquisas, portanto, faça essas 5 perguntas e procure as respostas e tudo fará sentido, ainda que seja um sentido que não o agrade.

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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