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O QUE É UM DEDO DIANTE DE UMA VIDA E DO DESTINO DE UMA NAÇÃO?!

No final de janeiro de 2014, cheguei de um longa viagem louca para tomar um demorado banho em casa – viajar é bom, mas voltar para a casa é melhor.

Quando abri a porta do box para sair desse tão desejado banho, a porta explodiu e fez um corte no dedo anelar da mão direita e a última falange ficou pendurada. O chão ficou cheio de cacos de vidro e de sangue.
Edson Morais Piovezan me levou para o pronto socorro e ali levei os primeiros pontos da vida. O médico disse casualmente que seria interessante procurar um especialista, sem me dizer que o tendão tinha rompido.

Após uma semana, graças a uma amiga, a fisioterapeuta Andrea Freitas, procurei um ortopedista que me atendeu numa manhã de domingo e me disse que era urgente fazer uma cirurgia para religar o tendão, o que deveria ter sido feito no mesmo dia do acidente.

Dois dias depois, uma terça-feira, fiz a cirurgia, perdi o dia de trabalho. Evitei tomar medicamentos para dor, mas na quinta à noite a dor era tão intensa que acabei tomando um tramal. Senti um alívio imediato.
Na manhã seguinte tomei outro tramal, mas logo em seguida comecei a me sentir muito mal, tontura, vertigem, náusea, sonolência. Ainda assim, antes de ir para o trabalho, fui para a clínica para o médico ver como estava o dedo. No estado em que estava, os enfermeiros me levaram para um quarto e fiquei lá, tendo alucinações e todos os sintomas já mencionados.

Nesse dia não consegui trabalhar.

Fiquei 40 dias com o antebraço imobilizado e enfaixado, com dificuldade para dirigir, para tomar banho, lavar o cabelo, digitando com a mão esquerda apenas, impossibilitada de qualquer atividade física e com um pino de metal, como uma longa agulha, enfiado sob a unha.

Depois de uns dois meses, fui encaminhada para terapia, pelo menos 20 sessões de tortura, com a dedicada e competente terapeuta Luciandra Kersting. Até aceitei com resignação. Acidentes acontecem. Mas teve uma sessão em que ela me disse que naquele dia teríamos de dobrar o dedo até ele tocar a palma da mão, que doeria muito, que eu poderia gritar à vontade.

Quando o dedo tocou a palma da mão eu gritei de dor e então eu tive uma crise de choro convulsivo. Ali, naquele momento, toda a minha resignação foi embora e toda a indignação que estava bem guardada veio à tona.

Meu dedo nunca mais foi o mesmo, ele não dobra como os demais, ele incha no frio e no calor, entre outras coisas. Durante dois anos, ele inchava, doia e latejava. Com o tempo, o inchaço não passava mais e o dedo foi ficando deformado.

Em junho de 2017, não suportando mais a dor que se tornou ininterrupta e o calo que se formara e que tinha deformado o dedo, voltei ao médico, fiz uma ultrassom e voltei para uma nova cirurgia. Tinha ficado um ponto lá dentro.

Depois da segunda cirurgia, ele melhorou, não incomoda mais diariamente.
Hoje ele está especialmente dolorido.

Por que eu estou contando isso, que não interessa a ninguém?

Porque quando comecei a sentir esta dorzinho no meu dedo, eu me lembrei que não tenho nada a me lamentar, porque isso não é nada, absolutamente nada. A minha vida seguiu normalmente, depois de uns seis meses voltei às minhas atividades físicas e isso tudo só me tirou do trabalho por 3 dias.

Porque me lembrei que há alguns dias, um homem que se tornou a esperança de mudança para milhões de brasileiros sofreu um grave e covarde atentado. Sobreviveu porque não era a sua hora, porque Deus assim o quis. Está numa UTI sofrendo todo tipo de dor, recebendo soro e picadas o tempo todo, com dificuldade de se alimentar, com dificuldade de excretar, tolhido de qualquer privacidade, rezando pela própria sobrevivência e, sobrevivendo, terá graves sequelas para o resto da vida.

Está impedido de continuar sua campanha, correndo o risco de perder a eleição simplesmente porque foi arrancado do páreo por um assassino frio e cruel, mas creio que não solitário, e, apesar de tudo isso, ainda é objeto de piadas e dos desejos mais vis de que sua morte se consume.

Você não não precisa gostar dele, você não precisa concordar com ele, você não precisa votar nele, como provavelmente os outros milhões de brasileiros o farão. Entretanto, é urgente que comecemos a resgatar nossa decência, nossos princípios morais e éticos, a nossa dignidade, o respeito pela realidade e o amor pela verdade, por pior e mais duro que elas sejam.

Quando Teori Zavaski morreu no acidente aéreo, eu expus na rede social a minha repugnância pela conduta no mínimo inadequada e cruel dos que comemoravam a sua morte, faziam piadas e o atacavam. Ninguém vira santo apenas porque morreu, mas um mínimo de compostura é o que se espera de um povo que se acha civilizado e a quintessência na defesa do “bem” (pelo menos é o que o politicamente correto quer nos fazer crer).

Impossível descrever o grau de baixeza moral em que se encontra a massa dos brasileiros. Há muita gente decente em nossa terra, mas os ignóbeis, infelizmente, parecem ser uma maioria avassaladora e barulhenta.

Pelo que tenho visto nos últimos anos, o Brasil não merece salvação, pois abraçou a defesa de tudo que há de mais repugnante e pernicioso. O mal está no meio de nós. O mal está dentro de nós. O Brasil não merece o sangue daquele Messias que está naquela cama de UTI e muito menos Daquele que morreu na cruz por todos nós.

MAS DEUS É MISERICORDIOSO E QUEM SABE AINDA ASSIM TENTE NOS SALVAR, MAS PARA ISSO NÓS TEMOS DE PERMITIR E, SOBRETUDO, DE PEDIR.

OREMOS PELA SALVAÇÃO DO BRASIL E PELA SAÚDE CAPITÃO! OREMOS, ACIMA DE TUDO, PELA NOSSA ALMA!
O FUTURO A DEUS PERTENCE.

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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