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QUANDO O POSTE FAZ XIXI NO CACHORRO

Vou ter de contar um causo.

Numa noite qualquer, um ladrão escalou o muro e o telhado de uma empresa para invadir o imóvel e furtar o que lhe interessasse.

O vigilante noturno da empresa ouviu um barulho no telhado, resolveu verificar. Arrumou uma escada, subiu ao telhado e lá deu de cara com o ladrão, que veio em sua direção.

O vigilante mandou que ele saísse imediatamente, mas o ladrão continuo vindo em sua direção de forma ameaçadora.

O vigilante deu um disparo de aviso, mas o ladrão continuou vindo em sua direção.

Sem outra alternativa, o vigilante efetuou um disparo em direção ao ladrão, atingindo-lhe o abdômen. O ladrão saiu correndo pelo telhado, pulou para a rua e fugiu.

O vigilante chamou a polícia, que prendeu o ladrão na vizinhança ferido no abdômen e o levou para o hospital.

O vigilante se apresentou, entregou a arma, que tinha capacidade para 6 disparos e tinha 4 cartuchos intactos e dois deflagrados. Apresentou o registro da arma, em nome da empresa para a qual trabalhava, e sua carteira de vigilante que lhe autorizava a portar arma de fogo em serviço.

O ladrão foi indiciado inicialmente por roubo e ficou um tempinho hospitalizado. Na audiência de custódia foi decretada a sua prisão preventiva, mas para ser cumprida como prisão domiciliar com monitoração eletrônica.

Quando o inquérito chegou ao Ministério Público, o (a) agente ministerial entendeu que embora houvesse indícios de furto, havia fortes indícios de tentativa de homicídio praticada pelo vigilante contra o ladrão, de modo que os fatos deveriam ser apurados pela vara do tribunal do júri.

Simmmm. O poste fez xixi no cachorro!!

50 dias após a concessão da prisão domiciliar, ele já tinha violado a medida 58 vezes por sair da área de sua residência e 5 vezes por não carregar a bateria da tornozeleira, e no 57º dia compareceu ao órgão de fiscalização com a tornozeleira rompida intencionalmente, mas ficou por isso mesmo, com essa informação perdida no meio do processo digital.

Felizmente, o (a) agente do Ministério Público que atua na vara do Tribunal do Júri colocou ordem na bagunça e disse que o vigilante agiu em legítima defesa ou no mínimo por erro plenamente justificável diante das circunstâncias. Assim, restabelecida a ordem, os autos me chegaram para denunciar o ladrão.

Quando Jair Bolsonaro relata esses casos, parte dos brasileiros, aqueles que vivem no mundo de Alice, acham que ele é um histriônico. Mas isso tem acontecido o tempo todo.

Pois bem, o Paranaense, cansado de ser entregue às feras, elegeu para deputado federal com a segunda maior votação na história do estado, o SARGENTO FAHUR, com cerca de 315.000 votos, aquele que defende pena de morte para certos criminosos.

Bem, quem sou eu para falar desse assunto? Ninguém!! Sou apenas mais uma promotora de justiça punitivista, fascista, ciclista, tenista, etc…. que acha que o Brasil prende pouco.

Não conhece ainda o Sargento Fahur? Assista o video abaixo e tire a sua cabecinha desse buraquinho onde tem se escondido para não ver a realidade ao seu redor!!

Ah, antes que eu me esqueça, o ladrão já possuía 6 (seis) condenações criminais, mas ainda há quem acredite que estivesse no telhado, à noite, apenas para tomar um ar fresco e que o Brasil prende demais.

 

 

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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