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Encontrando nosso Senhor Jesus Cristo em Tolkien e Lewis

POR DAVI VALUKAS

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O grande crítico literário canadense Northrop Frye nos ensina que as Sagradas Escrituras são a base da literatura ocidental, seja em prosa ou poesia, seja medieval, renascentista ou romântica. A luta do bem contra o mal, os valores morais, o ciclo de vida do herói, que vai da descoberta de seu heroísmo à consagração no campo de batalha, além da estrutura textual em si, tudo bebe na Fonte dos escritos bíblicos. Mesmo aquelas histórias cheias de personagens supostamente pagãos, aquelas aventuras fantásticas com bruxas, duendes, elfos, fadas e dragões têm um pezinho no Santo Livro, se houver um ensinamento moralmente saudável no final das contas. Por isso mesmo deixei de fora, no início do texto, a literatura moderna, tão ávida em relativizar os valores civilizacionais do Ocidente.

Porém, nem tudo está perdido. Mesmo entre os escritores modernos podemos encontrar valorosos exemplos de literatura que bebe na inesgotável Fonte! Alguns deles deixam isso explícito, como é o caso dos dois maiores escritores de literatura fantástica do século XX, C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, A Abolição do Homem, Cristianismo Puro e Simples, dentre outros (esses dois últimos não são livros de ficção, mas de teologia), e J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, O Hobbit, O Silmarillion e uma série de outros livros sobre a Terra Média e Arda (realidade paralela semelhante a Nárnia).
Lewis era um homem ateu até conhecer Tolkien na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Tolkien era um católico convicto e acabou por colaborar com a conversão do amigo, que se tornaria um dos principais teólogos anglicanos. Ambos se tornariam célebres professores na área da linguística (Filologia no caso de Tolkien e Literatura no caso de Lewis). Os dois se reuniam semanalmente com outros amigos literatos em pubs para tomar cerveja e ler os escritos uns dos outros. Era o chamado Clube Inklings!

Agora que já conhecemos as semelhanças entre os dois autores, vamos analisar algumas diferenças sensíveis entre o trabalho deles, mas que acabam convergindo para a divulgação dos ideais cristãos: o leão Aslam, de As Crônicas de Nárnia, é uma alegoria de Jesus Cristo. Note como o sacrifício da mesa de pedra e sua consequente ressurreição são quase idênticos ao sacrifício perpétuo do Filho de DEUS na Cruz e sua ressurreição ao terceiro dia! Note também como a feiticeira Branca (cor ligada à ideia de iluminação) se parece com Lúcifer (A estrela da manhã, o anjo de luz), que a todo momento tenta ludibriar a raça humana em prol de seu “Reino de gelo” (ou de fogo disfarçado). Edmundo, um dos quatro reis, cai em sua armadilha e quase trai os irmãos, semelhante a São Pedro apóstolo quando nega Cristo por três vezes antes do cantar do galo. Há muitos outros elementos alegóricos que claramente remetem ao cristianismo, mas creio que esses já dão conta do recado!

Já Tolkien detestava alegorias. Dizia ele que elas empobrecem o texto e aprisionam o escritor, privando-o da liberdade criativa. Por isso mesmo não encontraremos personagens que remetam inquestionavelmente a Cristo ou a outros elementos bíblicos. Por isso, a análise se torna um pouco mais complexa e criteriosa, pois Tolkien costura seus personagens com aspectos cristãos. Podemos dizer, por exemplo, que a autoridade de Aragorn na hora de cobrar a dívida dos soldados mortos seja um aspecto simbólico de Cristo quando Ele passa três dias apregoando sua mensagem depois de morto. Ou que a coragem de Samwise Gamgi, mesmo sem muitos recursos que deem suporte a tal atitude, seja semelhante à de Pedro quando pede para andar sobre as águas (e depois afunda por falta de fé). Ou ainda que a própria Sociedade do Anel, composta por improváveis nove figuras díspares, sejam aspectos de Cristo, como a abnegação de Frodo, a coragem de Sam, a capacidade de enxergar o amanhã de Legolas (elfos enxergam a uma distância enorme), e claro, a majestade de Aragorn, inicialmente o guardião Passolargo, e depois o Rei que retorna para assumir o trono de Gondor. Você pode até dizer que Boromir seja uma alegoria para Judas Iscariotes, mas isso seria reduzir a complexidade do personagem a um jogo de espelhos que não corresponde à totalidade dos factos (Judas morre covardemente após vender o Mestre, enquanto Boromir morre heroicamente defendendo o Portador do Anel).

Enfim, de formas diferentes, Tolkien e Lewis se utilizaram da fantasia para divulgar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua sã doutrina de amor! Logicamente, um não cristão pode usufruir dos aspectos estéticos e estilísticos, sem falar no prisma do entretenimento, da obra de ambos os autores, mas ignorar o alicerce cristão dos escritos desses dois gigantes da Literatura Fantástica é um tremendo absurdo!

Nota: se quiser saber mais sobre a influência cristã na obra de Tolkien e Lewis, procure os vídeos do Padre Paulo Ricardo de Azevedo sobre o tema no YouTube.

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