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“A Influência da Alta Cultura na Música Popular”

Por Kay Lyra

“E no entanto é preciso cantar”… e resgatar a alta cultura neste país. Acho que muitas pessoas já notaram que a música popular no mundo todo tem caído vertiginosamente e no caso do Brasil é de uma grande tristeza pois já fomos referência de qualidade musical em países como o Japão e os Estados Unidos. Lançamos a bossa nova, o chorinho, o samba de qualidade, e agora José? Agora, como já alertou o filósofo Olavo de Carvalho, só a alta cultura salva!

Em música não existe nem esquerda nem direita mas para cima e para baixo e tudo indica que estamos indo para baixo na medida em que perdemos de vista a alta cultura. Mas o que é este raio de alta cultura? Bom, em primeiro lugar, é preciso pensar em cultura como cultivo, melhoramento, ou nas palavras de Platão: o supremo bem. Essa idéia de culto ou devoção, de algo melhor que merece a nossa atenção, que merece o nosso respeito e tem um sentido qualitativo e pedagógico, tem sido rechaçado pelos “entendidos” nos últimos anos pois a leitura de “cultura” para eles é o mesmo que se encontra na Constituição de 1988 que define a cultura como o modo de ser de um povo. Mas como o Olavo mesmo ironiza, o modo de ser de uma parcela da população também é o narcotráfico e a prostituição e nem por isso podemos chamar essas coisas de cultura.

Como melhorar a música popular? Com mais verba? Ora, a bossa nova nunca foi financiada e fez história e transformar o funk em patrimônio cultural não faz do funk o canto dos anjos! Por onde andam nossas orquestras que existiam nas rádios, na televisão, por onde andam os pianos encontrados nas casas de classe média, por onde andam os ensinos de coral e canto Orfeônico que existiam nas escolas públicas, o canto gregoriano das igrejas, a literatura universal nas escolas? Por onde anda tudo aquilo que já foi decidido pela humanidade que vale a pena ser perpetuado na nossa cultura, na história e nos currículos escolares? Revolucionaram tudo e meteram o mundo de pernas para o ar!

O que um frei em uma cidadezinha de Minas Gerais com bom gosto fez para ser pai musical e espiritual de toda uma escola de violão moderno? Ele tocou todo o dia na igreja local, às 18:00 horas, a “Pavane pour une infante défunte” de Maurice Ravel e sua beleza foi reconhecida por um menino de oito anos que impregnado pela beleza desta obra mudou todo o cenário musical de uma vertente popular de um país, e que, a partir de sua inovação musical e iniciativa, fez um som mineiro capaz de viajar o mundo todo, e agora se encontra imortal, apoiado nas asas de tudo aquilo que transcende, que engrandece, que nos faz reverenciar, e que passeia nas nuvens, graças à influência da alta cultura.

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