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As 32 sonatas para piano de Beethoven na versão de Daniel Baremboim

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Algum tempo atrás, o filósofo Olavo de Carvalho sugeriu, em seu facebook, um exercício poderoso: ouvir a obra de um compositor de música erudita de forma que fosse possível decorar as frases, internalizando aquele conteúdo. Uma espécie de criação de um banco de dados sonoro da mais rica valia! Seguindo este valioso conselho, estabeleci a meta de ouvir, na sequência, as 32 Sonatas para piano, de Ludwig van Beethoven. Segue abaixo o relato de minha experiência.

O primeiro passo que tomei foi o de escolher as gravações que eu iria ouvir. Existem várias disponíveis, todas de um delicioso primor técnico e estético. Mas, por questão de admiração pessoal, escolhi as gravações do maestro e pianista judeu-argentino Daniel Baremboim. Tenho grande consideração por este grandioso homem musical, não apenas por suas realizações no campo da música em si, mas por sua inteligência, cultura e bom senso. O livro Paralelos e Paradoxos, escrito por ele e pelo falecido escritor egípcio Edward Said, é um belíssimo relato de tolerância e civilidade, sem nenhum ranço ideológico, e o concerto regido por ele em Berlim, de uma orquestra com músicos árabes e israelenses, fez mais pela paz no Oriente Médio que qualquer tratado fajuto promovido por políticos desprezíveis (peço perdão pela tautologia).

Baremboim realizou essas gravações em meados da década de 1980, em um belíssimo e muito apropriado palácio europeu. São onze horas e dezesseis minutos extasiantes! Demorei quatro dias para ouvir tudo, mas valeu a pena. Entre trechos mais conhecidos do grande público, como a Sonata nº 8 (Pathétique) e a Sonata nº 14 (Sonata ao Luar), de melodia “fácil” e assobiável, e trechos mais virtuosísticos, de grande complexidade horizontal (melodia) e vertical (harmonia), o deleite foi inevitável. Não entrarei em questões mais teóricas para não perder o teor espiritual da experiência, mas digo que saí de tão magnífica audição com o coração repleto de boa música, a mente mais equilibrada e a alma farta das delícias da Alta Cultura! Recomendo a todos que façam essa experiência, tendo a certeza de que algum valor agregado haverá!

Em suma, as sonatas para piano de Beethoven formam um conjunto louvável do que o ser humano é capaz quando está imbuído da missão de deixar uma marca positiva no mundo. Mesmo que o pó dos ossos de Ludwig deixe de existir, ele jamais morrerá, pois sua marca foi deixada com esta indelével obra! E que isto sirva como inspiração para que cada um dos leitores destas mal ajambradas linhas deixe de ser apenas mais um sobrevivente defecador e faça logo o que tem que ser feito, por menor que possa parecer! Compor sonatas e sinfonias é para alguns, escrever romances grandiosos é para poucos, mas cada um de nós pode e deve fazer algo de bom nesta Terra. Como disse certa vez o rei João III da Polônia, em alusão a Julio Cesar: Venimus, Vidimus, Deus Vicit!

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atua desde 2016 na área de Treinamento e Educação Corporativa. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos.

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