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O esmero pela Coisa Pública no Segundo Reinado

“Enquanto se puder reduzir despesas, não há direito de criar novos impostos.” D. Pedro II

O termo “Colônia” nunca foi utilizado pelos brasileiros antes dos tempos da Independência, em 1822. Todos se intitulavam simplesmente “portugueses”. E foi a Família Real portuguesa, mesmo que inconscientemente, quem salvou a Civilização Ocidental ao fugir das garras do vigarista autointitulado imperador da França, Napoleão Bonaparte. O próprio ditador nanico confessaria, às vésperas da morte, que o único estadista que respeitara fora D. João VI, por ter-lhe pregado uma peça.

Como todos sabemos, o supracitado facto ocorreu em 1808, quatorze anos antes de D. Pedro I dar uma banana às desastrosas e tirânicas cortes portuguesas e criar o que se tornaria o grande Império das Américas, citado pela imprensa internacional da época como o mais democrático país da América Latina, rodeado por republiquetas governadas por tiranetes sanguinários!

Ao abdicar do trono para lutar contra seu irmão absolutista D. Miguel, que tomara o trono português despoticamente, e se tornar Pedro IV, instalou-se uma regência, primeiro trina depois una, até que o herdeiro de D. Pedro I foi considerado maior de idade em plena infância para poder assumir seu lugar de direito. Enfim, chegamos ao ponto que interessa em nosso texto.

Conhecido por sua erudição e amor ao conhecimento, às artes e às ciências, D. Pedro II foi também um homem que cultivou a simplicidade e a frugalidade, comportamento típico de pessoas estudiosas, o que refletiu em suas atividades estatais em forma de austeridade e extremo respeito à coisa pública (res publica). Ironicamente, quando um golpe militar derrubou D. Pedro II, alcunhado “O Magnânimo”, foi instalado um regime dito republicano, porém marcado pelo total desrespeito à coisa pública de facto, visto nossa história de má gestão, desperdício de dinheiro do contribuinte (não existe dinheiro público, mas sim “coisa pública” enquanto resultado da utilização do dinheiro do contribuinte/pagador de impostos) e corrupção como mecanismo de alimentação de projetos de poder.

Documentos da época demonstram a rigidez com que o Imperador exercia sua vocação, para a qual fora preparado desde tenra idade. A Imperatriz, dona Tereza Cristina, cuidava ela mesma do palácio imperial, trabalhando como dona-de-casa com a ajuda de uma única funcionária, paga com o salário do Imperador (nada de despesas pessoais pagas pelo erário público). Certa vez, ao visitar a cidade de Araraquara, no interior Paulista (terra natal deste que vos escreve), D. Pedro mandou devolver uma carruagem alugada para levá-lo da estação ferroviária à prefeitura, e fez todo o trajeto a pé, coisa de alguns quilômetros, caminho cheio de subidas e descidas.

Como dito acima acerca do amor do Magnânimo, tal facto fica comprovado ao sabermos que, além de fazer doações mensais de parte de seu salário a várias instituições culturais, o imperador sustentou o compositor brasileiro Carlos Gomes, expoente do romantismo musical na Itália, até que sua carreira decolasse. Se hoje o governo corrupto compra a consciência de sub-artistas e sub-celebridades através de leis de “incentivo” que oneram os já combalidos cofres públicos, o imperador pagava o grande compositor erudito com seu próprio dinheiro!

Para finalizar, cabe dizer que Pedro reinou 58 anos, alavancou a economia nacional, com uma carga tributária e uma Constituição bem liberais, tinha uma das mais importantes Marinhas do mundo e deixou o seu reino entre os mais importantes da História. De quebra, o imperador falava mais de dez idiomas. Perto de governantes semianalfabetos que houve por aí, soa como um personagem fictício. Mas foi apenas o maior estadista que passou pelo Brasil!

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atua desde 2016 na área de Treinamento e Educação Corporativa. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos.

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