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Cultura, educação e bom gosto

Doses de Cavalheirismo

“Cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido.” Édouard Herriot

Cultura, do ponto de vista antropológico e filosófico, de forma resumida, é o conjunto de crenças, práticas, tradições e costumes de uma determinada sociedade. É o que fazemos e acreditamos sem “parar para pensar”, pois vai se moldando através do tempo. Como diz o filósofo e professor Olavo de Carvalho, “a Cultura nos molda e vai sendo moldada por nós, dependendo da nossa capacidade e iniciativa”.

O bom gosto artístico e estético, seja na música, na poesia, no cinema, na literatura, na dança ou em qualquer manifestação/linguagem artística, é uma construção e não algo que já nasça conosco. Parafraseando o teórico da música italiano Paschoal Bona, podemos dizer que cada linguagem artística seja a arte de manifestar os diversos afetos da alma mediante um determinado meio (a palavra na poesia, o som na música, o movimento na dança, as cores na pintura etc.), sendo o aprendizado a mola propulsora do aumento de bagagem cultural de cada indivíduo.

Contudo, o que se vê nos últimos decênios é a relativização e a consequente exacerbação da importância da subjetividade no campo do gosto. As pessoas têm se desinteressado cada vez mais em aprender coisas novas, a garimpar manifestações diversas das que as cercam cotidianamente. Virou um crime e um pecado contestar o gosto alheio, como se cada sujeito fosse um supremo deus-de-si-mesmo!

A educação oficial tem culpa cabal nesse processo. O que se vê nas escolas em matéria de educação artística é a superestimação do ainda insosso gosto dos imberbes alunos, nivelando-os por baixo através de um multiculturalismo bocó. Se é importante entender a origem cultural do educando, mais importante ainda seria elevá-lo às esferas da alta cultura, utilizando-se a cultura informal na qual ele cresceu como ponto de partida, não como soberano berço de incontestabilidade. Se não é possível cativar um estudante forçando-lhe goela abaixo manifestações culturais estranhas a ele, apresentar-lhe tais manifestações de forma autêntica e liberal passa a ser obrigação do educador!

Resumindo esse drama, se os verdadeiros valores culturais não forem resgatados e transmitidos às gerações futuras, escarafuncharemos na lama imoral do ilustre nada até o fim dos dias! Definitivamente, será o nosso fim.

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atua desde 2016 na área de Treinamento e Educação Corporativa. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos.

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