Eloi VeitFilosofia

Conhecimento total

Conhecer tudo é impossível.

O conhecido e o desconhecido. São duas realidades que nenhum ser humano desconhece. O primeiro é tudo o que o gênero humano percebeu da realidade durante todo o tempo de sua existência. Pode ser verificado nos registros deixados nas mais diversas formas de manifestação.

O outro, o desconhecido, não foi percebido nem registrado, no entanto existe. Como sabemos disso? Sabemos que desconhecemos, não sabemos tudo, ninguém pode saber, nem a humanidade inteira. Isto quer dizer que, na verdade, o conhecido “boia”, por assim dizer, em um oceano de desconhecido. Está envolto e permeada dele.

Este desconhecido é o que Anaximandro, cinco séculos antes de Cristo, chamou de ápeiron. Lembro-me de uma professora minha, quando ainda menino, afirmar categoricamente que a ciência moderna tinha provado que este não existia. Creio que ela nunca pensara no assunto a sério e apenas me vendeu uma mercadoria de segunda mão, como fazem a maioria dos professores. Quer dizer,  adquirem frases aqui e as vendem ali, nunca se comprometendo  pessoalmente com o que dizem a seus alunos.

Existe um dentro e um fora, o de dentro é o conhecido e o fora é o desconhecido. O intrigante deste desconhecido é o fato de ele ser um agente ativo. É a certeza do desconhecido que nos move na direção da busca do conhecimento, do conhecido. Partimos sempre da certeza do desconhecido para chegar ao conhecido.

A coisa se complica quando há uma inversão desta realidade. Quando imaginamos que o que não conhecemos hoje será conhecido no futuro. Não é assim. No máximo podemos afirmar que conheceremos mais do que sabemos hoje, mas é pretensioso demais imaginar que conheceremos tudo algum dia.

Isto é assim porque se um dia chegarmos a conhecer tudo, estaremos no lugar de Deus. Ele estará fora da jogada. Acabou para ele.

Não é e nunca será assim. Por quê?  Por vario motivos. Primeiro, lembremos que o conhecimento se dá somente no juízo de um ser vivente específico, ser humano. Segundo porque cada ser humano tem tempo de existência limitada, morre algum dia. Não adianta imaginar que podemos escapar desta condição anotando todo o conhecimento em livros, pois o que está neles são somente registros de conhecimento. Nos livros não há conhecimento há registros apenas. Eles só existem no ser humano, na sua consciência.

O argumento de que conheceremos tudo no futuro é retórica das mais fajutas.  Serve apenas para convencer outros a confiarem no emissor desta sentença. Confiar e, na maioria das vezes, financiar. Nós confiamos e financiamos e eles, os muitos confiantes nesta sentença, ficam no compromisso de, se nalgum dia descobrirem alguma coisa, nos contar. Isto não passa brincadeira de mal gosto.

É apostar numa certeza que por si só é impossível. É a inversão mesma da realidade. Almejar ser Deus é de uma estupidez canina e olha que toda ciência moderna se sustenta neste ideal impossível, infelizmente.

Tags
Ver mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Fechar
%d blogueiros gostam disto: