Eloi VeitFilosofia

Nacionalismo e o Ocidente

A descoberta da transcendência é o fato central

                Li recentemente um artigo do Diplomata brasileiro, Sr. Ernesto Henrique Fraga Araújo, diretor do Departamento dos EUA, Canadá e Assuntos Interamericanos; intitulado TRUMP E O OCIDENTE. Este texto traz a visão de que as nações consolidadas politicamente devem visar o seu futuro não mais baseadas em fundamentos como capitalismo ou democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais.

Basicamente o que ele verifica é que a história inteira do ocidente se baseou na certeza da existência de um Deus. Este nos foi comunicado pelo povo judeu, pelos grandes filósofos gregos, pelos romanos e por fim por Jesus Cristo.

Com o surgimento do Cristianismo, consolidou-se, através da Igreja Católica, uma grande conquista humana, que pode ser chamada de descoberta da transcendência. Foi a partir desta descoberta que o mundo ocidental aconteceu.

Esta transcendência mostrou ao homem que existem leis eternas que regem a realidade. E foi Sócrates o primeiro a informar de sua existência, quando se opôs às convicções dos homens de seu meio, que tinham uma visão cosmológica do mundo.

Esta visão era um conjunto de símbolos que resumiam, para efeito de unidade de consciência, o funcionamento do cosmos. Então, as leis que imperavam nas cidades gregas antigas eram baseadas em símbolos que, de certa maneira, resumiam o funcionamento do mundo assim como eles o viam.

Sócrates rompe com isso ao afirmar que acima do funcionamento das cidades, suas leis, seus costumes, valores e crenças, existia um outro mundo que abrangia e continha este. Hoje conhecemos este mundo como “o mundo das ideias e das formas de Sócrates”. Elas são eternas, assim como um triangulo ou um quadrado, na geometria, é considerado eterno, ou se quiserem, infinito.

Foi no momento em que o mundo Grego se esfacela, exatamente porque a ordem cosmológica anterior já não dava conta de explicar a complexidade dos acontecimentos com os quais os Gregos precisavam lidar, que se começa e levar em conta este “outro” mundo. Posteriormente, Platão e Aristóteles ampliam este entendimento e lhe dão uma forma. A partir daí consolida-se um projeto filosófico humano, que continua até hoje.

Os Judeus, por sua parte, também informaram aos seus da existência deste “outro” mundo, através dos seus profetas. Os Romanos utilizaram-se destes conhecimentos e conquistaram o mundo, acrescentando a ele a engenhosidade das suas leis.

Então vem Jesus Cristo em Pessoa, este o maior dos acontecimentos. Que sem negar nada do que tinha sido descoberto por estes três povos, reafirma a transcendência e diz muito mais sobre ele. Nasce o Cristianismo.

Dizer que o ocidente é cristão é dizer que a visão do mundo vigente entre nós se assenta nesta grande descoberta: a transcendência. E não existe ideologia que substitua algo tão grandioso, seja ela de ordem econômica, seja ela de ordem doutrinária.

O capitalismo é fruto do cristianismo, a democracia liberal é fruto do cristianismo.  Como poderia ele ser substituído, o pai de tudo? As nações modernas precisam entender isso e adotar como fundamento de todas as suas ações as certezas que conhecem; exatamente estas que deram origem a tudo o que somos, não há escapatória.

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