Eloi VeitFilosofia

O mundo como representação

Responsabilidade ao expressar uma ideia.

Aquele que expressa uma ideia, independente de qual forma usar para expressá-la, sempre se enquadrará em uma destas possibilidades:
Estará a descrever uma realidade que ele percebeu. Por exemplo, o médico legista; analisa o cadáver sob os aspectos que a sua ciência determina e diz, expressa o que viu. Dá-se entre o visto e o dito uma coincidência total. Ele expressa uma realidade.
Estará a expressar a ideia e não apresenta o correspondente na realidade; não estará a dizer de uma realidade, mas de um símbolo que criou ou recebeu de alguém.
Estará a exprimir um símbolo auto justificador: expressa a ideia que corresponde a uma justificativa para aquilo no qual ele acredita. Expressa uma crença; crê que assim seja ou deveria ser. Por exemplo, quando de discursos proferidos a favor de uma ideologia.
Pode estar a exprimir uma ideia que não é nem uma realidade nem uma crença, mas unicamente intenta convencer outros de alguma coisa. Este tipo de discurso é típico e amplamente usado por ativistas do mundo melhor. O discurso não descreve uma realidade, não tem caráter de auto justificação, de uma crença, mas apenas visa a convencer.
Pode ainda não dizer nada sobre a realidade; não justificar uma crença, não influir sobre as outras consciências, mas apenas influir sobre si mesmo. O agente do discurso visa a se convencer a si mesmo através de um discurso. Ele pode estar a fazer o discurso para si ou para outro, mas a intenção é se convencer de algo.
Por último pode estar a se expressar com o único intuito de transmitir uma imagem para si ou para os outros do que ele pensa que ele é. Neste caso ele assume uma função ilusória, teatral.
Esta forma expressiva é típica do povo brasileiro: não expressa uma realidade, não expressa símbolos auto justificadores, não visa inocular no próximo uma crença, não visa a influir sobre si mesmo. Apenas quer parecer aquilo que não é. Aquele que se expressa assim está no mundo da fantasia.
É este tipo de discurso que devemos aprender a identificar. Pois nestes tempos difíceis, viver num mundo de fantasias é temeroso demais, e quanto menos vivermos nele mais nos afastaremos de um mundo que desmorona.

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