Eloi VeitFilosofia

O que é cultura?

É o que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos.

Ellen Key diz que “cultura é o que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos”. É expressão sutil do termo, muito exato. Mas, o que nos restará quando tivermos esquecido tudo o que aprendemos?
A sociedade atual é riquíssima em saber e miserável em cultura. É que saber uma profissão, ser especialista diz respeito apenas àquela área de conhecimento específica, não tem cultura nenhuma ali, tem conhecimento e só.
É que todas as especialidades e o conjunto inteiro dos conhecimentos que abarcam, tem um princípio comum: o utilitarismo. Todas as profissões existentes hoje só se justificam porque são úteis ao progresso material da sociedade, quer dizer, servem para o progresso.
É que cultura, a grande discussão humana, o pensamento dos mais nobres pensadores, é conhecimento inútil, não serve ao progresso. Para este ela não tem importância, valor algum.
Então, para a mentalidade média de nosso tempo, a utilidade das ciências é determinada segundo as aplicações práticas que ela fornece; a física, a química, a advocacia, a engenharia, a medicina, a odontologia são uteis realmente, não há como negar.
A história e a filosofia, a grande música, não nos fornecem nada, são ciências inúteis, não há como negar isso do ponto de vista do progresso. Acontece que em todos os tipos de totalitarismos já conhecidos nunca houve preocupação em controlar as ciências úteis, jamais se viu isso. Eles deixam isso para a iniciativa privada, deixam solto e quanto mais solto melhor.
Mas relativamente às ciências ditas inúteis eles as abraçam, controlam, manipulam e fazem isso tão bem que as sufocam e por fim as matam. E quando conseguem destruí-las por completo, reinar soberanamente é muito mais fácil.
É porque o progresso não precisa de homens cultos, ele precisa de multidões. Multidões de advogados, engenheiros, químicos, físico e só isso. O objetivo do progresso é atingido e ponto final.
A modernidade nos impôs que, de agora em diante nada de questionamentos, nada de ler livros, nada de pensamentos que não sejam aqueles que sejam uteis ao progresso.
A modernidade nos trouxe uma triste realidade: transformou todas as classes em semiletrados com autoridade de especialista. O especialista é aquele que conhece tudo da sua especialidade e é ignorante em tudo o mais.

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