Eloi Veit
Em Alta

Professor

Atividade vocacionada

Existem atividades de estado e atividades vocacionadas. Estas são aquelas que tendem à alma, sempre na direção daquele oficio escolhido e tendem porque o sujeito que a pratica entende que é guiado por algum sentimento de justo, adequado, necessário conforme o que imagina ser o seu destino. Aquele outro pratica a atividade em vista apenas de uma recompensa material, um salário, por exemplo.
Que grande diferença há entre estes dois tipos de convicção: uma é inclinada pela alma, a outra pelo bolso. No entanto, os sujeitos do primeiro tipo são os muito escassos, faltantes na sociedade atual. Os outros abundantes, e isto é significativo e tem consequências.
Muito antigamente, era professor aquele que detinha conhecimento e o possuía porque o amava, e por isto mesmo o buscava incessantemente e, passado o tempo ele mesmo se transformava no que conhecia. E isto lhe dava autoridade, que era reconhecida pelos outros e muitos deles o procuravam para também se transformar. Ele se transformava numa espécie de “modelo a ser imitado”.
Isto aconteceu com Sócrates, o grande amante do conhecimento. Que era procurado por muitos pois, aos olhos deles, trazia em si algo de divino, magnífico e por isso fascinava. Ele ensinou para muitos e um de seus discípulos, Platão, ficou conhecido como o grande seu aluno, importantíssimo para todos os humanos; daquela, desta e das gerações futuras.
Muitos e muitos depois dele surgiram e, da mesma maneira, fascinavam. E as relações que estes grandes mantinham com seus discípulos era outro fascínio, do tipo dinâmico onde professor e aluno mantinham contato fundamentalmente entre suas consciências, e a cada passo que davam mais amavam o que faziam.
Tudo isto mudou quando se sugeriu e se iniciou o que hoje chamamos de “democracia educacional”, ou, de outra maneira, “educação universal”. Mudou para muito pior, e o grotesco se instala.
É que, pela exigência de educação para todos, agora não é mais o aluno que busca um amante do conhecimento, muito menos o professor é amante dela. Tudo se burocratiza na forma de escolas e universidades. Agora o professor é apenas um assalariado do Estado, com um papel a desempenhar – o moderno professor não precisa ser vocacionado, amar o conhecimento; basta aceitar um emprego e desempenha-lo segundo as regras.
E o aluno, também pouco amante do conhecimento, entra em contato com aquele em busca de um título, para depois com ele tentar subir na vida. E só.
O mundo do conhecimento é um mundo diferente do mundo material, nele impera a consciência e todas as verdades. No mundo material impera a acumulação, que no fim das contas só favorece o conforto do corpo e nada mais.
Hoje tudo se mediocrizou, inclusive a consciência destas verdades.

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