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O “NAZISTA” DEBILÓIDE (E OUTROS TRUQUES SUJOS)

E MAIS: UM E-MAIL DE CUBA, ROGER WATERS E UM BELISCÃO NO PSL E NA DIREITA

                Um monte de nazistas de verdade e seus descendentes se deram bem no pós guerra, fazendo concessões  ao establishment: estão aí a Adidas, a Puma, a Hugo Boss, a BMW e o Büro Albert Speer & Partner, que não me deixam mentir.

                Já mais azar teve um milenar símbolo místico, religioso e heráldico, um dos dois tipos de cruz gamada: a suástica. De origem indeterminada – foi usada em moedas na Mesopotâmia, tem ainda um significado especial na Índia e na China, e foi usada – pasmem! – até pelos Maias e pelos Navajos, e pelos Romanos (quem já visitou as ruínas de Conimbriga em Portugal viu o piso de uma luxuosa Vila romana ladrilhado de suásticas no Sec. I, provavelmente).

Pois bem: depois de pelo menos uns oito mil anos, alguém do Partido Nazista resolveu eleger a suástica como símbolo do Partido dos Trabalhadores Nacional Socialista Alemão – e a coisa toda foi um coquetel de mitologias. (A suástica foi escolhida porque a suástica era adotada pela Sociedade Thule, uma organização esotérica que influenciou diversos ideólogos nazistas; aconselho a leitura de  Hitler’s Monsters – A SUPERNATURAL HISTORY OF THE THIRD REICH, do Prof. Eric Kurlander) .

Seja como for: uma trêfega militante de esquerda se disse atacada por três fascistas, bolsonaristas, nazistas, machistas, sexistas e taxistas, que a agarraram esmo na  rua (aparentemente, ela “cheirava”  a Haddad, ou Andrade, o que faz os lobisomens de Direita babarem na gravata), e a gravarem a canivete nela o estigma do seu ódio.

Mas… espera aí… Apurada a coisa um pouquinho, percebeu-se que os “agressores” não tinham gravado na “pobre vítima” uma suástica, mas sim uma sauvástica. Explicando: a suástica simboliza o sol, enquanto a sauvástica representa a noite, a deusa Kali, e certas práticas mágicas. O Delegado do caso (que tem muito mais o que fazer e deve ter pesquisado rapidamente no Google, enquanto este aposentado aqui teve a pachorra  de fuçar no The Golden Bough de Sir James George Frazer e em HINDUISM AND BUDDHISM, de Sir Charles Eliot) identificou o símbolo como sendo budista, no que ele está 50% certo – na verdade, a sauvástica também é um símbolo hinduísta.

E qual a diferença entre uma suástica e uma sauvástica? Simples: a suástica “gira” no sentido horário, a sauvástica no anti horário. Além disso, a suástica (e a sauvástica) budista ou hinduísta é desenhada em ângulos retos, enquanto a suástica nazista é inclinada em 45º.

Quem já leu ou assistiu filmes sobre neonazistas sabe como os sujeitos são maníacos sobre memorabilia, e em colecionar o catarro seco do Goebbels e a cueca suja do Göering. Pois bem: ou nossa intrépida PTelha foi atacada pelos únicos nazistas que sequer sabem desenhar uma suástica (ou aqueles sujeitos de cabeça raspada e roupa laranja eram Hare Krishnas simpatizantes do Amoedo).

Falando no universo dos filmes, a nossa PTelha é, como mostram aquelas séries sobre o FBI e os Serial Killers, uma Copycat – alguém que imita o modus operandi de outro criminoso. No caso, Paula Oliveira (bota aspas nisso), “a brasileira que foi agredida por neonazistas suíços e abortou de gêmeos” em 2009 – até a polícia suíça periciar os ferimentos e concluir que eles eram auto infringidos. Quem quiser relembrar (ou ainda não conhece o caso), pode consultar:

http://inacreditavel.com.br/wp/desmorona-farsa-de-advogada-brasileira-na-suica/

Pelo menos a Paula sabia desenhar uma suástica.

Além das Copycats, temos as operações False flag – como o Alan do Terça Livre corretamente classificou. Uma False flag é uma operação na qual o exército de um país (ou um espião) finge que é o inimigo, para justificar uma agressão disfarçada de reação legítima. Foi exatamente assim que os alemães fizeram para justificar o início da 2ª. Guerra Mundial, fingindo que os poloneses tinham atacado postos fronteiriços alemães.  No caso, os petistas que saíram distribuindo capim pelo Nordeste, e outras tantas barbaridades por aí.

Por fim, temos a deliberada distorção de fatos pela imprensa – como no caso do capoeirista assassinado. Apesar do “suspeito” ter deliberadamente confessado um homicídio qualificado por motivo fútil (o motivo da briga teria sido uma discussão sobre futebol) a imprensa insiste que o verdadeiro motivo tem porque tem porque tem de ser Bolsonaro. Um dia esse pessoal vai ter que catar os cacos da própria credibilidade, mas acho que eles vão simplesmente fazer como seus primos americanos e ficar berrando histericamente contra Bolsonaro depois que ele for eleito.

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                De Havana, a Casa de Las Americas me manda um e-mail intitulado “Carta abierta a los intelectuales del mundo de Manuel Castells”. Antes que vocês achem que eu algum dia pedir para entrar na lista de contatos deles, passei a receber mensagens da Casa de lãs Americas depois do meu livro O GRANDE MASSACRE DAS VACAS ter sido finalista do Oceanos e passar a ser vendido em Portugal pela WOOK e pela Bertrand, e na Espanha  pela Casa Del Libro. Para quem não sabe, o Castells é um sociólogo e professor espanhol que publicou diversas obras sobre a Internet, que ele vê sob a ótica de “capitalismo informacional”. Li a cartinha até o seguinte trecho: “Brasil puede elegir presidente a un fascista, defensor de la dictadura militar, misógino,sexista, racista y xenófobo”. Dispensei o resto depois de engasgar com os clichês.

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            Ao contrário da maioria do pessoal, eu dou um desconto ao Roger Waters: no caso dele, Freud explica. Waters é filho de um comunista que morreu na 2ª. Guerra Mundial quando o futuro Pink Floyd mal tinha seis meses. A imagem de um pai heróico (e desconhecido) é bem forte, e recorrente para Waters: vejam a capa do álbum “the final cut”.

Eu não costumo misturar os artistas e suas obras, a não ser que a obra seja meramente panfletária, como no caso de grande parte da do Chico Buarque. Mas leio com igual prazer um comunista como o Pepetela, um nazista como o Céline, um tarado como James Joyce.

Em todo caso, se você prefere um roqueiro de Direita, vá ouvir Erc Clapton, que não só é hoje o dono da Farlow’s (uma das mais antigas e tradicionais lojas de caça e pesca da Inglaterra) como tinha uma das maiores coleções de espingardas do mundo (recentemente ele vendeu algumas, mas ainda tem um monte).

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                Apesar do PSL ter conseguido um resultado surpreendente nas eleições, poderia ter sido muito melhor; faltou confiança no taco, o site do partido era horroroso (faltavam, por exemplo, informações relevantes sobre os candidatos), e muitos candidatos a deputado estadual – como a minha, a Delegada Sheila – tiveram votação mais do que suficiente para se elegerem para a Câmara Federal. Lógico, talvez eles tenham preferido por razões pessoais não se mudar para Brasília, mas acho que o potencial foi mal avaliado.

Também acho que faltou comemoração, e divulgação: afinal de contas, o partido fez o deputado federal mais bem votado do Brasil, os mais votados em cinco estados (GO, MT, MG, RJ e SP), o deputado estadual mais bem votado da História, a deputada federal mais votada do país. A lista inclui um príncipe de sangue real, um ex ator pornô, um sujeito corajoso o suficiente para se candidatar como Hélio Negão, uma jornalista combativa, e o indefectível Nelson Barbudo (o nosso Urtigão). Divulgar pelo menos os rostos de um tal mosaico mostraria não só a diversidade como ajudaria a tirar a pecha de fascistas, racistas e sexistas.

Acho que depois do 2º. Turno o PSL deve acabar com a maior bancada da Câmara, com as defecções. Julgo que é infantilidade pensar que as pessoas mudam de partido meramente por oportunismo; muita gente boa (de Winston Churchill a Theodore Roosevelt) fez isso antes. E deve-se reconhecer que na Babel de partidos do Brasil existem muitos políticos conservadores ou liberais (no sentido econômico) abrigados no DEM, no PSDB, e em muitos outros por aí, fora os meninos do MBL. O que não pode acontecer é aceitar oportunistas, o que é totalmente diferente.

Finalmente, eu trocaria o nome do PSL. O atual é uma daquelas sopas de letrinhas do multipartidarismo brasileiro, totalmente destituído de qualquer apelo. Por mim, eu daria nome aos bois e o rebatizaria simplesmente de Partido Conservador, ou de Conservadores. No Reino Unido, tem dado certo desde 1834 (antes, os Conservadores eram simplesmente os Tories). OK, falar em “Conservador” no Brasil até agora mesmo era palavrão, mas não mais – e agora a palavra tem uma força que nunca teve antes. Ah, e não se esqueçam: nossa cor tradicional é o azul.

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Marquês de Micalba

O Marquês de Micalba nasceu no Arraial do Curral Del Rey em MCMLXI (algarismos arábicos são para plebeus) Passou 11 anos em busca das Minas do Rei Salomão, e mais 20 usando uma capa preta com debrum vermelho a perseguir os inimigos do Rei, armado apenas com sua inseparável Parker 51. Afastou-se de seus afazeres mundanos e hoje se encontra exilado na Quinta do Micalba, com um monte de bichos de todas as espécies. Seu alter ego já tem quatro livros e vários contos publicados, no Brasil e em Portugal, e alguns prêmios literários nacionais e internacionais.

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