Marquês de MicalbaQuinta do Micalba

UM ROLO DE DULCORA II – OU UMA LATINHA DE SÖNKSEN

DROPES

Pensei em atender ao Dante Mantovani e escrever uma coisa racional contra a eleição da Dilma em Minas, mas o que dizer que as pessoas já sabem ou deveriam saber? De informação de cocheira só tenho o que me contou uma amiga da minha mãe, que foi colega de sala dela (Belo Horizonte é uma grande roça) e me disse que ela era a primeira aluna da sala, mas era a famosa “esforçada burra”. Para mim confere: eu sempre li para aprender a duvidar, quem chupa letras sem questionar (é, ou era no meu tempo) mata borrão. Conheci algumas (e alguns) Dilmas ao longo da minha vida, pessoas que sabem um pouco e inventam o resto, mas divulgam o falso de um tal jeito que aos demais soa como verdade absoluta.

Não subestimem a Dilma: quem não questiona o que aprendeu mas assimila sem discutir costuma ter um profundo efeito sobre quem tem pouca imaginação – infelizmente, a maioria.

Fiquei pensando numa bala de prata contra a chupa sangue da Bulgária, mas nenhuma me ocorreu. O conselho que o Eduardo Bolsonaro deu na entrevista ao Nando Moura – votar duas vezes no mesmo senador – é legalmente inócuo, já que o segundo voto vai ser simplesmente anulado, e não vai contar nem para a legenda. Daí, decidi votar para Senador nos Rodrigos: o Pacheco (DEM, 250) e o Paiva (NOVO, 300): estão bem colocados nas pesquisas, nada têm contra eles, e não são a Dilma. Em tempos bicudos, basta.

Eu tenho duas esquerdistas de estimação: uma foi casada com um Embaixador e se aposentou como DAS 6, a nata do funcionalismo federal; a outra é filha de banqueiro. Achei engraçado a minha amiga que já foi a Sra. Embaixatriz me mandar o horários e locais das passeatas do #ELENÃO no chamado “Circuito Elizabeth Arden” – Londres, Paris, Roma, Nova Iorque – mas não em Palmas, Tocantins. Já a filha do banqueiro me convidou para o #ELENÃO em Ipanema e no Leblon, mas se esqueceu de Madureira.

Falar no #ELENÃO versus #ELESIM, imagino um diálogo em Berlim no dia 13 de junho de 1990: o funcionário chega ao superior na STASI, e anuncia ao Kamerad que a colocação de arame farpado em cima do muro no dia 12 foi um sucessen. O Chefão retruca: mas Karl, tem uma porraden de genten com marrtelens e picarretens quebrranden o murren! E o Karl retruca: mas Chefe, é só os xornalen não noticiarren nada que está tudo wunderbar!

Como confissões de assédio estão em moda, torno público que já fui abordado no Supermercado do Distrito duas vezes por um perfeito desconhecido, sempre em ano de eleições. O sujeito sabia muito sobre mim, e eu nada quase nada sobre ele: é um empresário de hotelaria local que enveredou pela política, um daqueles raros que perde dinheiro ao invés de visar lucros futuros. Eu não votei nele antes, confesso, mas na sexta feira recebi dele uma correspondência com o número mágico: 1700, Gleiser Boroni para Deputado Federal. Vai levar meu voto desta vez: é um local, investe em hospedagem de baixo custo (um dos hotéis dele se chama “Pouso dos Viajantes”, ao invés de “Las Vegas Inn”), trabalha para viver.

Para Deputado Estadual, fiz uma pesquisa no site do PSL para ver um candidato/candidata com alguma experiência legislativa, e encontrei a Delegada Sheila Oliveira (PSL, 17456). Foi a vereadora mais votada de Juiz de Fora em 2014, é mais ou menos da minha região, tem quatro filhos, é cristã, e uma quarentona bonitona – pode parecer besteira, mas depois de uma certa idade beleza vai do interior para o exterior, em breve  sai um artigo meu sobre a beleza das meninas da Direita. Com todo o respeito, se tem uma coisa mais atraente do que uma mulher que aponta uma pistola em nome do Bem, é uma que carrega uma Bíblia e um terço no outro braço (se bem que eu desconfie que a Sheila seja evangélica, mas não importa: se antigamente eu achava os Crentes uns chatos, hoje os vejo como meus irmãozinhos insistentes, mas irmãos).

Balinha de groselha: deu no Reinaldo Azedo que quem apóia o Bolsonaro odeia pobre, prefere “tiro, porrada e bomba”, etc. Bom, eu sempre convivi muito melhor com gente mais humilde do que com os meus “iguais” ou “superiores”. Aprendi muito mais com eles, também. Aliás, um dos meus melhores amigos (um escocês/brasileiro eleitor do PSDB) já me criticou pelo meu “lado pobre”: meu gosto por cerveja barata , pratos “brutos” (tudo que é feito de vísceras, sangue e tripas), minha queda por uma cachacinha . Quando trabalhei na África do Sul, descobri que os mineiros de Moçambique me apelidavam de “Galinha Choca” porque eu era absolutamente maníaco com a segurança deles. Em Morro Velho, um “líder” sindical vivia me chamando de “capacete branco” (a cor dos engenheiros), até que o confrontei: “escuta aqui, no caso de um acidente quem você acha que sai por último  da mina? Eu ou você? O cara amarelou ( o resto dos funcionários  me conhecia) e balbuciou: “O Senhor”….

 

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Marquês de Micalba

O Marquês de Micalba nasceu no Arraial do Curral Del Rey em MCMLXI (algarismos arábicos são para plebeus) Passou 11 anos em busca das Minas do Rei Salomão, e mais 20 usando uma capa preta com debrum vermelho a perseguir os inimigos do Rei, armado apenas com sua inseparável Parker 51. Afastou-se de seus afazeres mundanos e hoje se encontra exilado na Quinta do Micalba, com um monte de bichos de todas as espécies. Seu alter ego já tem quatro livros e vários contos publicados, no Brasil e em Portugal, e alguns prêmios literários nacionais e internacionais.

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