Milena Popovic

Meios de garantir o aleitamento materno

Sempre falo, não apenas aqui, mas pessoalmente com amigos e familiares, sobre a importância do aleitamento materno (exclusivo até o sexto mês de vida do bebê, e prosseguindo até os 2 anos de idade ou mais, após o início da introdução alimentar). Porém, muitas dúvidas e mitos são apresentados nessas conversas, o que me motivou a escrever este texto.

Em primeiro lugar, muita gente me garante que confusão de bicos “não existe”. Bom, quanto a isto, uma busca em grupos especializados no Facebook (como o Grupo Virtual de Amamentação, ou GVA, por exemplo), demonstra que essa alegação é totalmente errada. Eu mesma conheço vários casos, de famílias que conheço pessoalmente, que introduziram o uso de bicos artificiais (chupeta, mamadeira, intermediário de silicone) e chegaram ao desmame precoce (conheço casos de crianças que desmamaram “naturalmente” aos quatro meses, sendo que o desmame “natural” estava associado ao uso de chupeta). E é aí que entra uma das grandes dúvidas: em caso de necessidade de leite artificial, como oferecer sem usar mamadeira?

As moderadoras do grupo mencionado, o GVA, sempre indicam copo comum ou colher, especialmente a colher dosadora. Pessoalmente, eu considero a colher dosadora como a opção mais fácil de manipular, pois usei para oferecer água à minha filha mais velha no início da introdução alimentar: o leite é inserido no recipiente, e é oferecido ao bebê por “gotejamento”. Nunca, jamais, o bebê pode fazer movimento de sucção. Outra dica para o uso da colher dosadora é manter o bebê o mais perto possível da posição sentada, para evitar engasgos.

Outro problema, ao abordar o assunto “confusão de bicos”, é o fato de que sempre vem uma vizinha ou “amiga” dizer que a mãe precisa dar chupeta para o bebê, porque “chupeta acalma”. Geralmente, são as mesmas pessoas que dizem que o bebê chora por “fome” porque o leite materno é “fraco”. Ora, temos aí um paradoxo, já que da chupeta não sai leite… Ou seja, o bebê muitas vezes pede o peito não por fome, mas por pura e simples necessidade de sucção, ou por saudade da mamãe. Nesses casos, quando a mãe tem a disponibilidade de tempo, basta oferecer o peito até o bebê largar sozinho, ou se não puder ficar à disposição para dar o peito, pode carregar o bebê no colo com o auxílio de sling.

Mais um mito associado à amamentação: a sensação de “peito vazio”. Reproduzo, aqui, um verdadeiro mantra que incorporei à minha forma de criar meus bebês, e que me foi ensinado pelas moderadoras do GVA: “peito não é estoque, é fábrica”. A produção de leite se dá de forma imediata, ou seja, quanto mais bebê no peito, mais leite o peito produz, mas o peito nunca vai ficar “cheio”, porque peito é fábrica, não estoque.

Muitas mães acabam complementando por conta própria, por se enganarem quanto a essa sensação, e por acharem que o bebê chora por fome, sendo levadas a crer que o bebê não está mamando bem (mesmo que encha várias fraldas por dia de xixi e de cocô). Em grande parte dos casos, não há necessidade. Basta intensificar a oferta das mamadas e tudo fica bem.

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