Milena Popovic

Uma especulação sobre a depressão pós parto

O assunto “maternidade” de hoje é a depressão pós parto. Um assunto espinhoso, muito espinhoso, porque há os que acreditam ser “frescura” e os que acreditam que sempre é caso para solução medicamentosa. Este texto, aproveito o ensejo para dizer, é apenas uma opinião pessoal.

Acredito que boa parte dos casos seja fruto de uma espécie de dissonância cognitiva. Como assim? Vejamos o sempre citado exemplo da mãe que ouve de todas as visitas que seu leite é “fraco”, mesmo vendo as roupinhas do bebê ficando apertadas e as constantes trocas de fraldas cheias de xixi e de cocô. Como o discurso é praticamente unânime, ela passa a acreditar nele.

Porém, a experiência de realidade dela diz o contrário: o bebê está bem, está crescendo, está fazendo xixi e cocô, e se o bebê está em aleitamento materno exclusivo, então aquele xixi clarinho e aquele cocozinho cor de mostarda são resíduos daquele leite que todos em volta dizem ser “fraco”.

Ou seja, o discurso em volta da mãe diz uma coisa, mas a realidade que ela vê, objetivamente, é outra, totalmente diferente. E é assim que a mente da pobre mãe, em período de pós-parto, entra em parafuso. É aí que vem a depressão, pois a mãe perde a confiança em sua capacidade de fazer aquilo que apenas ela poderia fazer: amamentar seu bebê.

Curiosamente, as mesmas pessoas que dizem que o leite materno é “fraco” e que o bebê chora por “fome” são as mesmas que, geralmente, sugerem que se dê chupeta “porque acalma o bebê”. Ora, se o bebê chora “por fome”, como um bico borrachento, de onde não sai leite, poderia acalmar o bebê? Este é apenas mais um exemplo da dissonância cognitiva que, creio eu, leva muitas mães a ultrapassar os limites do baby blues e chegar à depressão pós parto.

Outra causa que, acredito, seja fundamental, é a falta de apoio. Vivemos em uma sociedade de famílias minúsculas, onde não existe a possibilidade de que a mãe recente conte com apoio de parentes para cuidar da casa e dos filhos mais velhos quando nasce o bebê. Isso leva a uma enorme sobrecarga física e emocional, em um período que é um enorme turbilhão hormonal.

A ajuda psicológica é importante no início da nova vida da mãe recente. Essa ajuda pode ser tanto profissional (psicólogo ou mesmo psiquiatra) quanto mesmo leiga, da parte de alguma amiga que tenha experiência com aleitamento materno, que entenda bem o comportamento dos bebês, para ajudar a nova mamãe a compreender a realidade que está vivendo desde o parto.

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