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Classe artística, progressismo e conservadorismo: o papel das figuras públicas no período eleitoral

Em períodos eleitorais como esse em que nos encontramos, vê-se sempre um fenômeno interessante: artistas das mais variadas vertentes, de atores de novela a cantores de rádio FM, se manifestam em prol de candidatos progressistas e socialistas. Se o dito cujo for da Rede Globo, ainda mais progressista e socialista será o candidato dele. Se o sujeito defende abertamente aberrações sociais como a legalização das drogas e do aborto, ao mesmo tempo que luta pelo desarmamento da população e pela criminalização das opiniões contrários, certamente haverá dúzias de globais em seus comícios.

A ideia geral que se tem dos artistas é que são pessoas idealistas, com uma sensibilidade social aguçada, sedentos por transformar o mundo em um lugar melhor. Logo, o senso comum os coloca no lado esquerdo do espectro político-ideológico. Quando jovens, tais artistas cometem bobagens sem fim em nome desse ideal utópico, manchando suas carreiras de forma indelével. Assim como o coração se encontra mais à esquerda no peito, o lado emotivo dessa gente os coloca no lado esquerdo da coisa.

Contudo, não raras vezes vemos os mesmos artistas “rebeldes sem causa” migrando para o lado direito do espectro político, ou mesmo se abstendo de estar em um lado da coisa, depois de atingirem a maturidade. É a razão tomando conta de suas mentes antes embebidas em ideologia barata! Tal fenômeno pode ser visto em relação a Jair Bolsonaro, que vem recebendo franco apoio de nomes famosos do show business, como Amado Batista (que já o recebeu em seu sítio), Eduardo Costa e Gusttavo Lima, que já postaram vídeos em suas redes sociais em apoio ao candidato conservador. Não se trata aqui de avaliar a qualidade artística desse ou daquele, mas de analisar um fenômeno sócio-cultural muito relevante!

Ser conservador não é uma ideologia, mas sim uma postura diante da vida. Isso é facilmente comprovável quando vemos que toda linha ideológica prega uma determinada moldagem do mundo, para atingir os fins desejados. O socialismo deseja abolir as classes sociais, o liberalismo deseja implantar o livre mercado, o anarquismo deseja abolir toda forma de governo, o nazismo desejava implantar a raça pura, assim por diante. Enquanto isso, o conservador é aquele sujeito avesso a mudanças bruscas, essas mesmas apregoadas pelos ideólogos supracitados. Pelo contrário, o conservador quer conservar os valores atemporais que compõem a base da civilização, não para ser um simples retrógrado que deseja manter o status quo, mas para que as mudanças respeitem um ciclo moderado e sustentável existencialmente falando!

Quando um artista chega à maturidade etária, mas mantém a postura rebelde da juventude, vemos que este não cresceu de fato, e ainda nutre dentro de si uma criança mimada que jamais aceitará a realidade como ela é. Vários veteranos do manstream mediático protagonizam papelões de circo ao abusarem do álcool, das drogas e da prostituição. No fundo, esse rebelde que se diz defensor de um mundo melhor, tolerante, “pra frentex”, não passa de um inimigo da liberdade, da sociedade, da cultura, dos indivíduos e das instituições que garantem o direito de ir-e-vir, e que impedem que o governo e o Estado engulam comunidades locais e sua forma de vida de maneira voraz.

Quando vemos um artista famoso declarando apoio a um candidato conservador, mesmo correndo o risco de perder público e agenda de shows, já que o politicamente correto amordaçou a consciência das figuras públicas, fazendo-os trocar a verdade por esmolas de luxo (leia-se cachês milionários), assim como Esaú trocou o direito à primogenitura por um prato de guizado, estamos diante de uma figura de caráter e coragem! Nos Estados Unidos, temos exemplos como Clint Eastwood, Johnny Ramone, Kanye West e outros, que sempre apoiaram conservadores como Richard Nixon, Ronald Reagan e Donald Trump, mas no Brasil esse não é um fenômeno tão comum assim e pode causar espanto, mas é algo saudável e democrático.

Em suma, é compreensível e, até certo ponto, louvável que o artista seja um idealista cheio de boas intenções nos primeiros anos de sua vida adulta, mas é igualmente respeitável que ele reveja suas posições após certa idade, sob pena de se transformar em um deplorável fantoche involuntário de forças malignas que ele ignora completamente!

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atua desde 2016 na área de Treinamento e Educação Corporativa. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos.

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